Macramê: entrelaços que transformam espaços e sentidos
Origem do macramê: das tribos árabes ao mundo moderno
O macramê é uma das formas mais antigas de tecelagem manual, feito apenas com os dedos e fios, sem o uso de agulhas ou máquinas. Sua origem remonta às tribos árabes do século XIII, onde artesãos utilizavam a técnica para criar franjas decorativas nas bordas de tecidos e roupas. A palavra “macramê” vem do árabe migramah, que significa “franja” ou “nó decorativo”.
A técnica se espalhou pela Europa através dos mouros e foi amplamente praticada na Itália, França e Inglaterra a partir do século XIV. Durante as grandes navegações, marinheiros também ajudaram a difundir o macramê ao aprenderem os nós durante longas viagens no mar — o que explica a riqueza de padrões que imitam cordas náuticas e elementos marítimos. No Brasil, o macramê chegou através dos colonizadores portugueses e se estabeleceu como prática artesanal em diversas regiões, sendo bastante popular no Nordeste.
Os tipos de nós mais usados
Apesar de sua aparência complexa, o macramê se baseia em poucos nós fundamentais, que permitem uma infinidade de variações e padrões. Os mais comuns são:
Nó quadrado (ou duplo): um dos mais versáteis, usado como base para composições simétricas.
Nó festonê: ideal para criar desenhos diagonais e curvas, muito presente em painéis decorativos.
Nó espiral: cria um efeito torcido e é bastante usado em pulseiras, cintos e detalhes de acabamento.
Nó laçada: ótimo para prender os fios à base ou iniciar a trama.
Com apenas esses nós, é possível elaborar desde peças simples até obras complexas e esculturais.
Aplicações: painéis, suportes, acessórios e moda
O macramê é extremamente versátil. Na decoração, destaca-se por seus painéis de parede, que conferem textura e charme a ambientes minimalistas ou rústicos. Os suportes para plantas em macramê são um verdadeiro símbolo do estilo boho e ajudam a trazer vida aos espaços com elegância natural.
Na moda, o macramê aparece em bolsas, cintos, saídas de praia e até em roupas inteiras, como vestidos e tops. Em acessórios, brincos e colares com fios de algodão, seda ou linho criam composições delicadas e sofisticadas.
Essa amplitude de possibilidades faz do macramê uma linguagem expressiva que dialoga com a arte, a moda e o design.
O macramê como prática meditativa
Trabalhar com nós requer atenção, ritmo e repetição. Por isso, muitos praticantes consideram o macramê uma forma de meditação ativa. Ao focar nos padrões e movimentos das mãos, é possível entrar num estado de presença que alivia o estresse e melhora a concentração. Assim como outras práticas manuais, o macramê promove o bem-estar emocional e estimula a criatividade.
Grupos terapêuticos, oficinas comunitárias e até clínicas de saúde mental têm incorporado o macramê como recurso de acolhimento e reabilitação, especialmente entre pessoas idosas, mulheres em situação de vulnerabilidade e crianças com dificuldades de concentração.
Tendências atuais na decoração com fibras naturais
O retorno ao natural tem guiado muitas tendências de design de interiores. O macramê, com seus fios crus de algodão, juta ou linho, encaixa-se perfeitamente nessa estética. Peças grandes com nós amplos, tons neutros e formatos orgânicos dominam ambientes que valorizam o artesanal, o sustentável e o afetivo.
Outra tendência crescente é o uso de macramê colorido, especialmente em quartos infantis e ambientes criativos. Tons terrosos, amarelo mostarda, verde-oliva e terracota são os favoritos do momento. Além disso, o macramê tem sido incorporado a peças mistas com madeira, cerâmica e metais, criando contrastes ricos e contemporâneos.
Referências:
SOUSA, Marta. Macramê: a arte dos nós decorativos. São Paulo: Arte Manual, 2019.
SANTOS, Lúcia Helena. “Macramê e ancestralidade: um fio de memória entre mulheres.” Revista Trama Interdisciplinar, v. 6, n. 2, 2021.
CAVALCANTI, João. Artesanato e Cultura no Brasil. Recife: Editora Raízes, 2016.
VIEIRA, Carolina. “O retorno das fibras naturais na decoração contemporânea.” Casa & Tendência, 2023.
COSTA, Fernanda. Nós que curam: macramê e terapi
a ocupacional. Belo Horizonte: Projeto Tecelando, 2021.






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