Arte e Educação: Como Ensinar Criação
| Foto de Yan Krukau: pexelss |
Ensinar arte é abrir caminhos para que cada pessoa descubra sua própria forma de ver, sentir e transformar o mundo.
Mais do que aprender técnicas ou nomes famosos, ensinar criação é ensinar a escutar o que nasce dentro — o gesto, o traço, o som, a emoção que se transforma em expressão.
A arte é linguagem, é pensamento, é vida em movimento.
Quando o educador entende isso, o ensino deixa de ser apenas transmissão e passa a ser experiência, encontro e descoberta.
O papel da arte na formação humana
Desde cedo, a criança cria: desenha, canta, inventa histórias.
Essas ações simples revelam algo essencial — a arte é uma forma natural de pensar e comunicar.
A arte desperta a curiosidade e amplia o olhar.
Ela convida a observar o mundo com atenção e a compreender o que é diferente sem medo.
Como lembra Ana Mae Barbosa (1991), “ensinar arte é ensinar a pensar, a ver e a fazer de maneira criativa”.
Ou seja, não se trata de copiar, mas de perceber, refletir e transformar.
A escola e o educador têm o papel de nutrir esse olhar sensível, oferecendo espaço para que cada estudante experimente, erre, recomece — e encontre sentido em suas próprias criações.
O professor como mediador da criação
Ensinar criação é lidar com o imprevisível.
O professor deixa de ser quem “mostra o certo” e passa a ser quem inspira e provoca.
Ele oferece materiais, ideias, contextos — mas deixa o aluno caminhar por si mesmo.
A sala de aula de arte precisa ser um laboratório de descobertas, onde o erro é parte da aprendizagem.
É nesse ambiente livre que o fazer artístico floresce.
Ideias práticas:
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Ao trabalhar pintura, explore as cores da natureza local — folhas, céu, terra, flores.
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Em música, grave os sons do ambiente e monte uma composição com eles.
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Em literatura, peça que escrevam pequenas histórias inspiradas em lembranças.
Cada atividade deve convidar o estudante a se conectar com o que sente e vive.
É isso que torna a criação autêntica.
O valor do processo criativo
Em arte, o caminho é tão importante quanto o resultado.
Mais do que apresentar uma obra “bonita”, o essencial é viver o processo: observar, experimentar, errar, refazer e descobrir.
O psicólogo Lev Vygotsky (2009) dizia que a imaginação é uma das atividades humanas mais importantes.
Criar estimula o pensamento flexível, a empatia e a capacidade de olhar o mundo por outros ângulos.
Cada obra, por mais simples que pareça, é um exercício de liberdade e autoconhecimento.
A arte dialoga com todas as áreas
A arte conversa com tudo: história, ciências, literatura, geografia, matemática.
Ela une o que parecia distante.
Um quadro pode ensinar proporção e geometria; uma música pode dialogar com poesia; uma escultura pode inspirar reflexões sobre o corpo humano e o espaço.
De acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2017), a arte deve oferecer experiências que ampliem “a sensibilidade, a percepção, a imaginação e a expressão pessoal e coletiva”.
Isso significa que o ensino artístico é também formação ética, emocional e social.
Criar é um ato de liberdade
Ensinar criação é ensinar a ser livre.
Quando o estudante entende que sua visão do mundo é única e valiosa, ele aprende a se expressar com coragem e autenticidade.
A arte é, por natureza, inclusiva e acolhedora.
Cada traço carrega uma história, cada som revela uma emoção.
O educador sensível sabe reconhecer essas singularidades e transformá-las em potência criadora.
Ensinar criação é ensinar a ser
Ensinar arte é ensinar o aluno a se perceber, se expressar e se transformar.
Criar é descobrir o próprio ritmo, é dar forma ao invisível.
E o professor, nesse processo, é um guia que acende caminhos, mas deixa o aluno trilhar com seus próprios passos.
Quando arte e educação se unem, nasce algo poderoso: um aprendizado que toca o intelecto e o coração.
É nesse espaço, onde sentir e pensar se encontram, que surge a verdadeira criação.
Referências
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BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. São Paulo: Perspectiva, 1991.
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VYGOTSKY, Lev S. A imaginação e a arte na infância. São Paulo: Ática, 2009.
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BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2017.
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.
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OSTROWER, Fayga. Criatividade e Processos de Criação. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.



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